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Até a tempestade mais longa perde força quando a paz parece plausível. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Irã estaria disposto a interromper os combates que eclodiram nesta semana foram suficientes para reduzir significativamente os temores de uma guerra em larga escala no Oriente Médio. O petróleo recuou, as expectativas de inflação arrefeceram, e o S&P 500 fechou próximo de suas máximas históricas. As small caps e as ações do setor financeiro acompanharam o rali das empresas mais expostas ao tema da inteligência artificial (IA).
Dinâmica dos índices das bolsas dos EUA
No entanto, o verdadeiro protagonista do repique não foi o índice amplo, mas os fabricantes de chips e de memória. Sandisk, Micron e Western Digital lideraram o rali, confirmando que esse grupo, mais do que as "Sete Magníficas", tornou-se a principal forma de apostar no tema da inteligência artificial (IA). O Philadelphia Semiconductor Index acumula alta de 83% no ano, enquanto o índice Bloomberg Magnificent Seven avança apenas cerca de 1,8%.
Isso parece menos um movimento passageiro e mais uma mudança estrutural. O S&P 500 de igual ponderação (equal-weight) superou a versão tradicional ponderada por capitalização de mercado — alta de 10,8% contra 9,3% no acumulado do ano. Esse movimento costuma ocorrer quando as gigantes de tecnologia deixam de impulsionar sozinhas o mercado e o capital passa a migrar para empresas menos badaladas, como Dollar Tree e Hubbell. Até mesmo Nvidia, Alphabet e Amazon têm apresentado desempenho lateral neste ano, ficando atrás de centenas de outros componentes do índice.
S&P 500 x índice de pesos iguais: comparação de desempenho
As projeções de Wall Street dão motivos para preocupação. Muitos analistas presumiam que as "Sete Magníficas" — responsáveis por cerca de um terço da capitalização de mercado do S&P 500 — levariam o índice à meta média de fim de ano, em torno de 7.824 pontos. Se os gigantes da tecnologia permanecerem sem reação, o restante do índice terá de entregar mais 6,8% de valorização, além dos 13% já acumulados.
O pânico provocado pela possibilidade de uma escalada mais ampla do conflito na região mostrou-se de curta duração. O cenário-base do Jefferies é que os ânimos se acalmarão e que Estados Unidos e Irã voltarão à mesa de negociações. O banco afirma ter diversificado sua exposição para a Ásia e a Europa, ao mesmo tempo em que mantém uma posição tática em ações de tecnologia dos Estados Unidos.
A BlackRock, por sua vez, avalia que os compromissos de investimentos em capital (capex) relacionados à inteligência artificial continuarão sustentando esse tema de investimento por mais dois a três anos, mesmo que algumas das líderes do setor de tecnologia passem a registrar fluxo de caixa livre negativo e recorram de forma mais intensa aos mercados de dívida.
O mercado voltou a aprender a conviver com a geopolítica, em vez de ser dominado por ela. A questão é por quanto tempo essa calma persistirá caso Teerã volte a adotar uma postura mais agressiva.
Do ponto de vista técnico, o gráfico diário mostra que o mercado testou claramente um pin bar, permitindpo o aumento dasa posições de compras iniciadas na região de 7.492 pontos, com reforço em 7.505 pontos. Um rompimento consistente acima da máxima de junho, em 7.580 pontos, seria o próximo gatilho para ampliar as posições de compras.