A estabilidade econômica do Reino Unido enfrenta uma ameaça “não linear”
O Reino Unido enfrenta uma ameaça “não linear” à sua estabilidade econômica, uma vez que um forte choque global nos preços da energia representa riscos que podem empurrar o país para uma recessão técnica, segundo uma nova nota de pesquisa do Deutsche Bank.
Analistas do banco destacam que, enquanto o mercado se concentra no rápido avanço da inflação, o impacto correspondente sobre o PIB tem sido perigosamente subestimado. Atualmente, a economia britânica atravessa o seu quinto choque de oferta significativo na última década, e a probabilidade de uma desaceleração acentuada continua a aumentar.
Desaceleração do crescimento e riscos no mercado de trabalho
O Deutsche Bank reduziu significativamente a sua projeção de crescimento do PIB do Reino Unido para um intervalo entre 0,7% e 0,35%, representando uma revisão em baixa substancial face às expectativas anteriores ao início do choque macroeconômico. O relatório sublinha que a economia entra nesta fase a partir de uma posição inicial particularmente frágil.
O mercado de trabalho britânico já registou um aumento da taxa de desemprego de quase 1 ponto percentual ao longo do último ano. Essa fragilidade estrutural, combinada com o aumento dos custos de energia, está a levar as empresas a adiar investimentos de capital e a suspender contratações, elevando o risco de uma recessão mais rápida e profunda.
Para avaliar o cenário, os analistas recorreram a um modelo de choque energético baseado no princípio de Hamilton, que descreve como aumentos nos preços se transmitem para impactos econômicos mais amplos. Os resultados indicam que a crise atual apresenta características marcadamente estagflacionárias: preços elevados de energia comprimem a renda real disponível e aumentam significativamente a incerteza para as empresas.
Nessas condições, “mudanças não lineares” — cenários em que o crescimento econômico desacelera mais rapidamente do que o previsto pelos modelos macroeconômicos tradicionais — tornam-se cada vez mais prováveis à medida que o conflito se prolonga.
Inflação vs. recessão
Embora reconheçam que os riscos inflacionários continuam elevados, os estrategistas do Deutsche Bank argumentam que o impacto negativo sobre o crescimento deverá, em breve, tornar-se a principal preocupação do Banco da Inglaterra.
O modelo do banco sugere que o crescimento moderado observado no final de 2025 tenderá a deteriorar-se num contexto de persistente escassez de petróleo e gás. Os investidores já encaram o ambiente atual como sinal de um período desafiador para os ativos britânicos. A economia enfrenta, assim, uma tripla pressão: queda do investimento, enfraquecimento do consumo e aumento do desemprego.