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O dólar australiano apresenta o melhor desempenho entre as principais moedas na manhã de terça-feira, impulsionado por uma mudança nas expectativas quanto à trajetória da política monetária do RBA. Vale lembrar que o Reserve Bank of Australia foi o primeiro grande banco central deste ciclo a iniciar o aperto monetário, elevando a taxa básica em 25 pontos-base, para 3,85%. Antes da decisão, muitos participantes do mercado questionavam se se tratava de um ajuste pontual, por precaução, ou do início de um ciclo de altas. No entanto, as projeções atualizadas indicam que trazer a inflação de volta à meta provavelmente exigirá uma sequência de aumentos. Atualmente, os mercados precificam cerca de 1,5 altas adicionais da taxa ao longo deste ano — um fator claramente favorável ao AUD e que não pode ser ignorado.
Em contraste, o índice de confiança do consumidor Westpac–Melbourne Institute recuou 2,6% em fevereiro, para 90,5, ante 92,9 em janeiro. A queda reflete a reação das famílias à elevação dos juros pelo RBA e ao ambiente de inflação mais elevada. Ainda assim, por ora, o impacto desse enfraquecimento da confiança sobre as perspectivas macroeconômicas da Austrália permanece limitado.
Enquanto isso, o noticiário dos Estados Unidos torna-se cada vez mais sombrio. As vendas no varejo ficaram estagnadas em dezembro, um resultado surpreendente diante da sazonalidade de fim de ano, e a taxa anual desacelerou de 3,3% para 2,4%, sinalizando uma perda relevante de fôlego da demanda do consumidor. O índice de sentimento das pequenas empresas da NFIB, em vez de avançar a partir dos 99,5 pontos registrados em dezembro, recuou para 99,3 em janeiro. O relatório de emprego dos EUA, divulgado hoje, também pode frustrar, já que praticamente todos os indicadores antecedentes apontam para a continuidade da deterioração do mercado de trabalho norte-americano.
Na manhã de segunda-feira, Kevin Hassett, diretor do National Economic Council, afirmou à CNBC que o mercado deveria "esperar um número um pouco menor de vagas". Já o principal conselheiro comercial de Donald Trump, Peter Navarro, foi ainda mais incisivo na terça-feira, ao declarar que "precisamos reduzir significativamente nossas expectativas para os ganhos mensais de emprego". Segundo ele, 50 mil novas vagas seriam suficientes, enquanto o consenso do mercado projeta atualmente cerca de 70 mil. Fica claro, portanto, que existe um risco não desprezível de um resultado bem inferior ao esperado, o que representaria mais um golpe para o dólar.
Paralelamente, o posicionamento especulativo vem se ajustando rapidamente em favor do dólar australiano. Dados da CFTC indicam que as posições líquidas compradas em AUD aumentaram em cerca de US$ 1,3 bilhão na semana de referência, elevando o posicionamento líquido otimista total para US$ 1,8 bilhão. O preço justo implícito também passou a se mover confortavelmente acima da média de longo prazo, reforçando o viés positivo para a moeda australiana.
Há uma semana, nossa projeção era que o AUD/USD retomaria sua tendência de alta após uma correção superficial, e o cenário se confirmou: o dólar australiano ampliou os ganhos e chegou a tocar brevemente hoje a máxima de três anos em 0,7131. Mantemos a expectativa de continuidade do rali, com o próximo alvo localizado na ampla zona de resistência entre 0,7160 e 0,7210. Caso o relatório de empregos dos EUA (Nonfarm Payrolls) decepcione nesta sessão, o AUD pode avançar ainda mais, já que o impulso de alta pode ganhar suporte adicional em meio ao enfraquecimento do dólar americano.