Tesouro dos EUA pede calma enquanto onda de vendas global derruba Treasuries
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu aos investidores que não entrem em pânico diante da alta recorde dos rendimentos dos Treasuries. Em entrevista à Axios, ele afirmou que os custos de financiamento, ao atingirem níveis não vistos desde o início dos anos 2000, representam um fenômeno global, e não um problema restrito aos Estados Unidos. Segundo o secretário, os investidores não estão vendendo Treasuries dos EUA para migrar para títulos de dívida da Alemanha ou do Japão. Em vez disso, os títulos soberanos estão se desvalorizando de forma generalizada nos mercados globais.
A onda de vendas que atingiu o mercado como um todo foi desencadeada por uma combinação de fatores. A inflação continua resistente devido ao petróleo caro, em meio ao conflito prolongado com o Irã. O cenário é agravado pelo aumento da dívida pública e pelas enormes necessidades de capital do setor de tecnologia. Grandes empresas estão ativamente captando recursos nos mercados de dívida para construir data centers. Um dos efeitos colaterais dessa corrida pela inteligência artificial tem sido o encarecimento das hipotecas: as taxas para os americanos comuns se mantiveram firmemente acima de 7%.
Apesar disso, Bessent nega categoricamente que tenha se formado uma bolha especulativa. O secretário do Tesouro argumentou que os empréstimos de vários bilhões de dólares contraídos por Microsoft, Google e Meta são amplamente respaldados pelas receitas de seus negócios. Ao mesmo tempo, as autoridades financeiras foram obrigadas a atuar diretamente na gestão dos mercados: Washington e Tóquio continuam realizando intervenções coordenadas para sustentar a moeda japonesa.