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Hoje, o petróleo foi negociado perto da máxima de cinco meses. O Brent já supera US$ 110 por barril — próximo de seu nível mais alto desde maio —, enquanto o WTI ultrapassou US$ 100 e chegou a cerca de US$ 104. O Brent acumula alta de aproximadamente 80% no ano, à medida que a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia vêm interrompendo o fornecimento de energia. Os derivados de petróleo registraram altas ainda mais expressivas, especialmente os contratos futuros de diesel na Europa.
Os traders agora avaliam o risco de novos ataques iranianos no Estreito de Ormuz diante dos sinais de recuperação do fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico. O primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad-Reza Aref, afirmou na segunda-feira que o país "não tem escolha" a não ser estabelecer o controle sobre o estreito para garantir sua segurança. Ele acrescentou que o Irã poderia garantir a passagem segura de países amigos, mas responsabilizou os Estados Unidos pela situação atual e declarou que os americanos "precisam pagar um preço".
Apesar das tensões recentes em torno do estreito, as exportações do Golfo se intensificaram. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que os fluxos se recuperaram para cerca de 80% dos níveis anteriores à guerra, embora os embarques de derivados de petróleo continuem limitados. O Iraque está entre os produtores que vêm ampliando as exportações. Segundo o ministro do Petróleo iraquiano, os embarques em outubro superaram 3,4 milhões de barris por dia e se aproximaram dos níveis anteriores à guerra, após a concessão de descontos expressivos em relação aos preços de referência regionais.
Ao mesmo tempo, o governo Trump está permitindo a venda de petroleiros sujeitos a sanções para que possam transportar petróleo legalmente. Wright afirmou que a medida é necessária para ampliar a capacidade de transporte marítimo, pois o conflito entre os EUA e o Irã está sobrecarregando os fluxos de petróleo e elevando os custos do frete. Vale lembrar que o acordo proposto para o fornecimento de diesel envolvendo a Rússia continua sendo controverso nos EUA e enfrenta resistência de parlamentares americanos.
Novos ataques a petroleiros e à infraestrutura energética mantêm elevado o risco geopolítico, mesmo com a recuperação dos fluxos pelo Golfo. Muitos analistas concordam que os riscos para os preços do petróleo estão claramente inclinados para a alta: novos ataques ao transporte marítimo aumentam a probabilidade de outra interrupção no abastecimento e de novas altas dos preços.
Em suma, o petróleo continua pressionado por duas forças opostas. De um lado, a retomada dos fluxos pelo Golfo e o aumento das exportações iraquianas impedem que o mercado avance com convicção para novas máximas. De outro, as declarações de Teerã sobre o controle de Ormuz e os ataques a embarcações impedem uma queda acentuada dos preços. Minha expectativa é que o Brent se mantenha próximo de US$ 110 nos próximos dias, enquanto qualquer nova escalada das tensões no estreito poderá levá-lo a uma nova máxima desde maio.
Quanto ao cenário técnico atual, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 105. Isso permitirá buscar US$ 109, nível acima do qual será bastante difícil avançar. O alvo mais distante fica na região de US$ 113. Se os preços do petróleo caírem, os vendedores tentarão romper o suporte de US$ 101. Caso consigam, o rompimento da faixa de negociação enfraquecerá as posições compradas e levará o petróleo a US$ 98, com possibilidade de prolongar a queda até US$ 95.