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14.09.2026 04:24 PM
Criadores de IA pedem para desacelerar — e o mercado leva o pedido ao pé da letra

Os índices acionários globais e os futuros abriram em baixa hoje, após as maiores empresas de IA pedirem uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. O índice MSCI Ásia-Pacífico caiu 0,8%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul — um barômetro dos investimentos relacionados à IA — despencou 3,4%. SK Hynix e Samsung Electronics recuaram mais de 4% cada. Os futuros do Nasdaq-100 caíram 1,3%, enquanto os futuros do S&P 500 recuaram 0,6%.

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O gatilho foi a declaração feita no sábado pelo CEO da Anthropic, Dario Amodei, que anunciou medidas adicionais de segurança, incluindo revisões independentes por terceiros, e pediu que o setor desacelerasse o desenvolvimento dos modelos mais avançados. O CEO da OpenAI, Sam Altman, apoiou a proposta, e o fundador da xAI, Elon Musk, afirmou que Amodei estava certo. Altman também ampliou o impacto ao informar ao mercado que a OpenAI não fará um IPO neste ano — um golpe adicional para as perspectivas da SoftBank.

O mercado interpretou esses sinais de forma direta. Um desenvolvimento mais lento implica menores gastos de capital com infraestrutura de computação, e esses gastos sustentam toda a cadeia de suprimentos, desde os fabricantes de memória até as operadoras de data centers. Fabricantes de chips e empresas de infraestrutura — cujas avaliações pressupõem um crescimento contínuo dos investimentos em IA — são os perdedores mais óbvios. Paradoxalmente, os concorrentes chineses podem se beneficiar, já que o apelo por uma desaceleração levanta dúvidas sobre até que ponto os líderes do setor no Ocidente seguirão de forma consistente o próprio apelo.

Quão grave é a ameaça aos investimentos? Os investidores ficaram mais cautelosos em resposta às declarações, já que ainda não está claro até onde uma eventual desaceleração poderia chegar. No entanto, é improvável uma queda acentuada nos gastos com P&D em IA: a IA continua sendo a principal tendência e uma das áreas mais promissoras no longo prazo. É mais provável que, como os próprios líderes do setor sugeriram, o segmento esteja buscando uma desaceleração temporária para criar um ambiente de desenvolvimento mais seguro, e não uma interrupção completa.

Um segundo choque agravou o primeiro no mesmo dia: o petróleo. O Brent subiu 2,2%, para US$ 106,95 por barril, depois que a Arábia Saudita fechou um importante oleoduto após ataques de drones, enquanto uma reunião planejada entre o Irã e os países do Golfo foi adiada. Vale lembrar: a produção saudita caiu no mês passado para o nível mais baixo desde 1990.

O mercado de títulos também atingiu extremos não vistos em quase duas décadas. O rendimento do Treasury dos EUA de 10 anos está próximo de 4,96% — o mercado não fechava acima de 5% desde 2007. Os swaps agora precificam uma probabilidade de quase 90% de uma alta de juros pelo Fed na quarta-feira, ante aproximadamente 70% na semana passada, impulsionados por uma leitura da inflação de agosto acima do esperado.

Esta semana é excepcionalmente importante: três decisões de bancos centrais em rápida sucessão podem redefinir as expectativas para a política monetária global até o fim do ano. O salto dos preços do petróleo — especialmente a disparada do diesel e de outros produtos refinados — alimenta os temores de inflação e de desaceleração do crescimento. O Fed e o Banco do Japão (BoJ) provavelmente apertarão a política monetária nesta semana, criando obstáculos para qualquer alta dos ativos de risco globais e pressionando os índices acionários.

Minha visão-base é que o Fed aumentará os juros na quarta-feira e que os rendimentos dos títulos de 10 anos superarão 5% nas próximas sessões. Também acredito que a atual correção das ações de tecnologia será de curta duração, porque o debate diz respeito à desaceleração do ritmo de desenvolvimento, e não ao abandono dos investimentos. A demanda por infraestrutura de computação continua elevada. No entanto, o verdadeiro teste para o setor será o custo do dinheiro: com os rendimentos acima de 5%, múltiplos de valuation muito esticados serão reavaliados, independentemente das decisões das administrações sobre o ritmo de desenvolvimento. O principal risco para essa perspectiva é regulatório — se o apelo pela desaceleração receber respaldo regulatório e se tornar obrigatório, a correção poderá se prolongar, em vez de ser breve.

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Nota técnica sobre o S&P 500: a principal tarefa dos compradores hoje é reconquistar a resistência imediata em 7.633. Isso sinalizaria uma recuperação e abriria caminho para uma alta em direção a 7.656. Igualmente importante para os otimistas é manter o controle acima de 7.679 para fortalecer o cenário de alta. No lado de baixa, os compradores devem defender a marca de 7.607; uma quebra decisiva nesse nível levaria rapidamente o índice de volta a 7.583 e abriria caminho para 7.563.

Jakub Novak,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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