empty
 
 
23.07.2026 05:24 PM
O mercado aposta nos resultados

O S&P 500 recuou 0,1%, registrando a quarta queda em cinco pregões. Ainda assim, a baixa foi surpreendentemente contida para um dia marcado pela disparada dos preços do petróleo em meio à retomada das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã. Enquanto Meta Platforms e Microsoft pressionaram para baixo o grupo das Magnificent Seven, que caiu quase 1%, o setor de energia compensou grande parte das perdas do segmento de tecnologia. O mercado segue equilibrando os impactos da geopolítica e da temporada de divulgação de resultados corporativos — e, até o momento, os balanços continuam prevalecendo.

Desempenho do S&P 500 e das Sete Magnificas

This image is no longer relevant

Os investidores que acompanharam os índices oscilarem sem direção por semanas depositam agora suas esperanças na temporada de divulgação de resultados corporativos. A Bloomberg Intelligence registra um impulso nas revisões de projeções que não era visto desde 2011: há muito mais empresas elevando suas perspectivas do que reduzindo-as. A expectativa é que os lucros das empresas do S&P 500 cresçam 26% no segundo trimestre, enquanto o Deutsche Bank projeta uma alta de até 29%. Em comparação, o crescimento médio anual do lucro por ação (EPS) nas últimas duas décadas gira em torno de 7,8%.

Esses números extraordinários não se devem apenas ao avanço da inteligência artificial. Segundo Wall Street, a recuperação de setores que não estão ligados a semicondutores nem a data centers — e que foram prejudicados no ano passado pelas tensões comerciais — também está impulsionando os resultados.

A Bloomberg Intelligence espera que todos os setores do S&P 500 apresentem crescimento dos lucros em relação ao mesmo período do ano anterior no terceiro trimestre, marcando a primeira recuperação ampla e generalizada desde 2021.

Dinâmica das revisões das projeções de lucros

This image is no longer relevant

Dito isso, o ônus da prova passou a recair diretamente sobre as equipes de gestão das grandes empresas de tecnologia. Após semanas de vendas no setor de Big Tech, os investidores agora exigem retorno sobre o capital investido, e não apenas planos ambiciosos para o futuro. Os sinais sobre a lucratividade futura serão analisados com atenção: os centenas de bilhões de dólares investidos em data centers gerarão retornos compatíveis ou os céticos em relação à bolha da inteligência artificial acabarão tendo razão?

O UBS continua otimista quanto à tese de crescimento impulsionada pela inteligência artificial, mas recomenda uma exposição equilibrada ao longo de toda a cadeia de valor — desde fabricantes de semicondutores até setores defensivos — e destaca a importância da diversificação para além da IA.

Enquanto isso, os investidores já reduziram sua exposição à renda variável para níveis em que até mesmo surpresas moderadamente positivas podem desencadear uma nova onda de compras. Essa "mola" de demanda comprimida, combinada com resultados corporativos sólidos e um impulso recorde nas revisões de projeções, oferece uma base para a valorização que os mercados vêm aguardando.

This image is no longer relevant

Será que os lucros das empresas serão fortes o suficiente para compensar os temores de uma guerra no Oriente Médio e as dúvidas sobre a monetização da IA? Só o tempo dirá.

Tecnicamente, o gráfico diário mostra que o S&P 500 está se consolidando na faixa de 7.430 a 7.580. Uma quebra acima do limite superior dessa faixa seria um sinal de compra, enquanto uma queda abaixo do seu limite inferior seria um motivo para vender o índice geral.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

Recommended Stories

Não pode falar agora?
Faça sua pergunta no chat.