empty
 
 
15.05.2026 05:35 PM
BCE sob pressão: Yannis Stournaras alerta para alta inevitável dos juros caso o petróleo permaneça nos níveis atuais

O euro tem se desvalorizado rapidamente em relação ao dólar americano, mesmo com um número crescente de autoridades do Banco Central Europeu sinalizando a necessidade de uma política monetária mais restritiva, o que ressalta a pressão crescente sobre o BCE.

This image is no longer relevant

Yannis Stournaras, membro do Conselho do European Central Bank e governador do Banco da Grécia, somou-se na terça-feira ao coro de dirigentes que alertam que o aperto da política monetária está se tornando inevitável. Segundo ele, se o petróleo permanecer nos níveis atuais, o BCE não terá outra alternativa senão elevar as taxas de juros. "Mas todos esperamos evitar isso", acrescentou.

Stournaras indicou que as perspectivas de política monetária mudaram: o debate já não ocorre entre um cenário-base e um cenário de desaceleração da economia, mas entre um cenário de desaceleração e um "hard landing" (aterragem brusca). Isso representa uma mudança substancial de tom em relação a algumas semanas atrás, quando a maioria dos dirigentes enfatizava cautela e a necessidade de aguardar novos dados.

Os novos dados de inflação reforçam essas preocupações. A estimativa preliminar da Eurostat mostrou que a inflação anual da zona do euro subiu para 3,0% em abril, ante 2,6% em março.

A energia continua sendo o principal motor dessa alta: os preços energéticos avançaram 10,9% em relação ao ano anterior em abril, frente a 5,1% em março. Já a inflação subjacente — que exclui energia e alimentos — desacelerou ligeiramente, oferecendo ao BCE um argumento formal para manter cautela. Ainda assim, a inflação cheia em 3,0% — o maior nível desde setembro de 2023 — torna-se cada vez mais difícil de ignorar do ponto de vista político.

O petróleo Brent foi negociado próximo de US$ 105 por barril na quinta-feira, mantendo-se acima de US$ 100 por três semanas consecutivas. O Estreito de Ormuz segue praticamente fechado, as negociações com o Irã continuam em impasse e não há sinais imediatos de resolução.

Stournaras alertou que preços elevados do petróleo por um período prolongado afetariam tanto a inflação quanto o crescimento econômico, aumentando o risco de estagflação — justamente o cenário que os formuladores de política econômica da Europa mais desejam evitar.

Mercados e economistas esperam amplamente uma alta de 25 pontos-base na reunião de junho do BCE. No entanto, os dirigentes enfrentam uma escolha difícil: se a aceleração inflacionária se mostrar moderada, talvez não seja necessário elevar os juros; mas, se a inflação continuar acelerando e permanecer persistente, o BCE poderá ser forçado a adotar medidas muito mais duras. Em resumo, o cenário dependerá principalmente dos desdobramentos no Estreito de Ormuz e da duração da crise energética.

Mesmo assim, esse contexto oferece apenas suporte limitado ao euro, já que muitos traders temem uma aceleração paralela da inflação nos Estados Unidos e, por isso, continuam favorecendo o dólar como moeda de proteção.

Perspectiva técnica para o EUR/USD

Do ponto de vista técnico, os compradores precisam avaliar como romper o nível de 1,1660 para poderem visar um teste de 1,1680. Um movimento além desse nível poderia permitir que o par atingisse 1,1705, com um alvo final próximo a 1,1725, mas será difícil alcançar isso sem o apoio dos grandes participantes do mercado. No lado negativo, apenas uma queda em direção a cerca de 1,1630 provavelmente provocaria uma intervenção significativa dos principais compradores. Se não houver demanda nesse nível, seria prudente esperar por uma nova mínima perto de 1,1610 ou considerar a abertura de posições de compras a partir de cerca de 1,1590.


Jakub Novak,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

Recommended Stories

Não pode falar agora?
Faça sua pergunta no chat.