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O par EUR/USD recuou mais 20–30 pontos na quinta-feira e, do ponto de vista da análise em ondas, todos os movimentos da última semana fazem parte de uma estrutura ascendente que, neste momento, ainda não parece concluída. Entendo que a trajetória do EUR/USD depende agora principalmente do pano de fundo geopolítico, mas isso não significa que a análise de ondas deva ser ignorada. Ainda assim, é importante destacar que, no cenário atual, a geopolítica tem mais peso do que os padrões técnicos. Portanto, caso surjam notícias sobre novas ações militares no Oriente Médio, mesmo uma estrutura corretiva de alta pode ser rompida.
Ontem ocorreu o primeiro discurso da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, desde a última reunião da instituição. Em sua fala, Lagarde reafirmou o compromisso do banco central em reduzir a inflação para 2% no longo prazo. No entanto, suas declarações indicam que o BCE não pretende agir de forma preventiva. Em outras palavras, caso o índice de preços ao consumidor na zona do euro volte a acelerar de forma significativa, um aperto monetário será apropriado e provavelmente contará com o apoio da maioria dos membros do BCE. Por outro lado, sem evidências claras de descontrole da inflação, o banco não demonstra intenção de elevar os juros, ao contrário do que parte do mercado esperava após a última reunião.
Ao mesmo tempo, o Eurogrupo se reunirá com uma agenda que inclui dois temas centrais: a escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Irã, e a dinâmica dos preços da energia. A instabilidade geopolítica nessa região estratégica continua a afetar diretamente os preços do petróleo e do gás, o que se traduz em pressão inflacionária sobre a economia global — com impacto particular na zona do euro, fortemente dependente de importações de energia.
No que diz respeito à libra esterlina, a primeira metade do dia tende a ser relativamente tranquila, com poucas divulgações macroeconômicas. Ainda assim, os traders devem acompanhar de perto os desenvolvimentos no Reino Unido. O principal evento será a divulgação dos dados de vendas no varejo. Dois componentes merecem atenção especial: as vendas incluindo combustíveis e o indicador excluindo combustíveis.
Os dados que incluem combustíveis oferecem uma visão mais abrangente da atividade do consumidor, refletindo tanto o volume de compras quanto os gastos totais, incluindo o impacto dos preços elevados de energia. Já o indicador excluindo combustíveis fornece uma medida mais clara do poder de compra dos consumidores, especialmente no atual contexto de alta nos preços da energia. Ainda assim, é importante observar que o relatório de fevereiro provavelmente não refletirá mudanças tão significativas quanto as esperadas para março.
Se os dados vierem em linha com as expectativas do mercado, a estratégia de reversão à média tende a ser mais adequada. Caso haja desvios relevantes — positivos ou negativos — a estratégia de momentum passa a ser a abordagem preferencial.