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O dólar americano tem demonstrado força nas últimas semanas, mas o mercado é movido por ondas e ciclos. Após um ciclo de alta, normalmente segue-se um ciclo de baixa, e as tendências dependem da força de cada um desses movimentos.
No caso do EUR/USD, observamos a formação de um segmento completo de tendência composto por cinco ondas, o que permite considerar a possibilidade de formação de um novo segmento de alta. A questão agora é saber se o cenário de notícias dos Estados Unidos continuará capaz de sustentar o dólar frente ao euro e à libra esterlina.
Na semana passada, uma quantidade significativa de dados econômicos importantes foi divulgada nos Estados Unidos, mas o mercado praticamente ignorou a maior parte deles. Apenas o relatório das folhas de pagamento não agrícolas (NFP) despertou atenção relevante dos investidores. Isso mostra que os participantes do mercado continuam filtrando muitos indicadores, o que limita a capacidade do dólar de obter suporte consistente apenas por meio dos dados econômicos. Nesta semana, será divulgado o relatório de inflação de maio nos Estados Unidos. Esse é o único indicador com potencial para provocar uma reação comparável à observada após a divulgação do NFP.
O mercado espera que a inflação americana continue acelerando, aproximando o Federal Reserve (Fed) de uma possível retomada do aperto monetário. A inflação cheia é esperada em 4,2%, enquanto o núcleo da inflação poderá subir para 2,9%. Caso os números venham acima dessas projeções, as expectativas de uma postura mais agressiva (hawkish) por parte do Federal Reserve ganharão força novamente. Esse é um fator favorável ao dólar. Portanto, para que um novo conjunto de ondas de alta se desenvolva, seria desejável que a inflação permanecesse dentro ou abaixo das projeções do mercado.
Os leitores também podem acompanhar o relatório do Índice de Preços ao Produtor (PPI), que será divulgado na quinta-feira. Esse indicador mostrará em que medida os produtores elevaram seus preços em maio, o que naturalmente tende a refletir-se nos relatórios de inflação subsequentes. A lógica é simples: quanto maior a inflação, maiores as chances de fortalecimento adicional da moeda americana.
Além disso, o mercado certamente continuará acompanhando de perto os desdobramentos geopolíticos. Neste momento, torna-se cada vez mais interessante observar se a mais recente promessa de Donald Trump de encerrar o conflito com o Irã se concretizará em breve. Por enquanto, o que vejo são apenas ataques recorrentes com foguetes na região. No entanto, se um acordo realmente for alcançado, será muito mais fácil para o euro e para a libra ganharem força.
O dólar continua se beneficiando de seu status de ativo de refúgio. Fora isso, porém, a moeda americana dispõe atualmente de poucas vantagens realmente sólidas.
Com base na análise do EUR/USD, concluo que o par continua inserido em um segmento de tendência principal de alta. No curto prazo, porém, ele está dentro de um movimento de baixa que pode já ter sido concluído. Na minha avaliação, este é um momento favorável para considerar a abertura de posições de compras. Uma tentativa fracassada de romper o nível de 1,1513, correspondente à retração de 76,4% de Fibonacci, juntamente com a aparência de conclusão do segmento de baixa, sugere que o par poderá iniciar a formação de um novo conjunto de ondas de alta.
Nesse cenário, os objetivos iniciais estariam na região da figura 17 (próxima de 1,1700) e possivelmente em níveis superiores.
A estrutura de ondas do GBP/USD tornou-se mais clara. Atualmente, o par formou três ondas de baixa, enquanto o EUR/USD já completou uma sequência de cinco ondas descendentes. Dessa forma, a libra esterlina pode estar limitada à construção de uma estrutura corretiva, enquanto ambos os pares podem começar a desenvolver novos segmentos de tendência de alta. Por enquanto, trata-se apenas de uma hipótese, mas considerada bastante plausível dentro da configuração técnica atual. Se essa interpretação estiver correta, o GBP/USD poderá iniciar um movimento de alta com alvos na região da figura 35 (próxima de 1,3500) e acima desse patamar.
Diante desse cenário, os participantes do mercado dispõem atualmente de uma oportunidade interessante para buscar operações de compra, desde que a confirmação técnica dessa possível reversão de tendência continue se consolidando.